Mostrando postagens com marcador #Parceria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #Parceria. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de março de 2017

Resenha - A Fúria e a Aurora

A Fúria e a Aurora
A Fúria e a Aurora #1
Renée Ahdieh 
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 336
Editora: Globo Alt
Classificação: ★★★★
Sinopse: Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado.
Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga.
Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em cenários mágicos em meio ao deserto
 


Minha opinião

A maioria das pessoas já ouviu falar sobre a Sherazade, grande contadora de histórias que conseguiu manter-se viva contando histórias para seu rei, noite após noite, durante 1001 noites. Bem, neste livro não temos a mesma Sherazade, mas uma nova roupagem da história tão bem conhecida por tantos.

A nossa protagonista de A Fúria e a Aurora é destemida e está cheia de ódio: sua melhor amiga, Shiva, foi uma das noivas do Califa. Uma entre tantas moças que se casaram com o rei, e foram mortas na aurora. Sendo assim, buscando vingar a morte de Shiva, Sherazade se voluntaria para ser a próxima, mas ela não pretende morrer, e sim matar o rei monstro e por um fim ao assassinato de tantas jovens. Contando uma história, ela consegue ganhar mais um dia de vida, e com essa história somada à sua personalidade, ela consegue ganhar o próximo dia, e assim o impensável e feito: ela estava vivendo.

Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, aos seus 18 anos de idade é mais odiado que muitos homens no final de sua vida. Ele matou milhares de jovens sem nenhum motivo aparente. Mas, é um rapaz cheio de segredos, um personagem calado, que a princípio dá mais espaço para que Shazi fale, e como ela fala.

Outro personagem de destaque é o Tariq. Desde os 12 anos, ele e Shazi são apaixonados, e Shiva era prima dele. Quando recebe a notícia que seu amor casou-se com o rei monstro, ele decide ir resgatá-la e matar aquele que ele acredita que vá tentar fazer mal a ela. Ele é impulsivo, e um péssimo mentiroso, mas suas intenções são nobres. Apesar de que, já digo a vocês, não torci para o sucesso dele.

"Na minha vida, a coisa mais importante que aprendi é que ninguém alcança a plenitude de seu potencial sem o amor dos outros. Não fomos feitos para ser solitários, Sherazade. Quanto mais uma pessoa afasta os outros, mais evidente se torna a sua necessidade crítica de ser amada."

O livro é cheio de quotes maravilhosas e o mundo criado por Renée é impressionante e belo. Cada personagem possui o seu próprio jeito e vai crescendo ao longo da trama, ganhando nosso afeto aos poucos. Meu coração ficou apertado em vários momentos, e eu fiquei bem dividida sobre algumas coisas, mas, acho que universalmente, todos nós torcemos pela redenção dos personagens, e pelo amor. Estou soando até meio piegas, mas é a verdade.

A editora fez um trabalho belíssimo com o livro, não só seu exterior é lindo, como os detalhes contidos em suas páginas. Encontrei um pequeno errinho de concordância que me incomodou bastante na leitura, mas nada que prejudicasse a obra como um todo.

A história termina bastante aberta e nos faz ansiar pela sua continuação. Preciso saber o que vai acontecer com a Shazi, a Tariq, ao pai da Shazi, a Khalid, e até a Despina, a camareira e espiã mais improvável que você vai encontrar pela literatura. Uma fantasia que se mistura perfeitamente com romance. Uma leitura fluída, que até me surpreendi com a rapidez que devorei todas as páginas do livro. Uma recomendação para todos aqueles que amam releituras e universos bem construídos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Resenha - Um Mundo Melhor

Um Mundo Melhor
Um mundo melhor
Brilhantes #2
Marcus Sakey 
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 420
Editora: Galera Record
Classificação: ★★★★
Sinopse: Pessoas com poderes especiais numa trama que envolve conspiração, política e terrorismo. O aguardado segundo volume da série Brilhantes. Nick Cooper lutou para que os brilhantes, parcela da população dotada de habilidades incomuns, fossem aceitos e integrados na sociedade até uma rede terrorista, liderada por brilhantes, atingir três cidades e deixar o país à beira de uma guerra civil. Cooper é brilhante e agora também consultor do presidente dos Estados Unidos, e contra tudo o que os terroristas representam. Porém, conforme o país descamba para o caos, ele se vê forçado a participar de um jogo que não aceita perdedores, pois seus oponentes têm uma visão particular de um mundo melhor. 
Antes de qualquer coisa tenho que avisar para os desavisados que este é o segundo livro da série Brilhantes, então provavelmente teremos spoiler do primeiro livro. Indico que se você não leu ainda o primeiro livro LEIA POR FAVOR É MARAVILHOSO não leia essa resenha pois pode estragar a experiencia. Estamos entendidos?
Então vamos lá?

sábado, 6 de agosto de 2016

Resenha - A Geografia de nós dois

A Geografia de Nós Dois
A Geografia de nós dois
Jennifer E. Smith
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 272
Editora: Galera Record
Classificação: ★★★★
Sinopse: Lucy mora no vigésimo quarto andar. Owen, no subsolo... E é a meio caminho que ambos se encontram - presos em um elevador, entre dois pisos de um prédio de luxo em Nova York. A cidade está às escuras graças a um blecaute. E entre sorvetes derretidos, caos no trânsito, estrelas e confissões, eles descobrem muitas coisas em comum. Mas logo a geografia os separa. E somos convidados a refletir... Onde mora o amor? E pode esse sentimento resistir à distância? Em A Geografia de Nós Dois, Jennifer E. Smith cria tramas cheias de experiências, filosofia e verdade.

Eu estava meio que muito empolgada com esse livro, li "A teoria estatística do amor a primeira vista" em duas horas então a expectativa por um livro fofinho era muito grande. A Jennifer E Smith se caracteriza por sua escrita leve e com histórias regadas a amorzinho e situações românticas fofas. Com esse livro não pode ser diferente, vamos a resenha?


O livro tem seu inicio com uma situação inusitada. Dois jovens que nunca tiveram contato um com o outro e que só tem em comum morarem no mesmo prédio, se veem presos no elevador em meio a um apagão. Nova York, a cidade que nunca dorme se vê de repente sem nenhuma energia, deixando Owen e Lucy presos no mesmo elevador. Ali, naquele momento de tensão eles iniciam uma aproximação e enquanto esperam o salvamento dos porteiros do prédio começam a se conhecer melhor. Quando enfim salvos acabam se encontrando sem perspectivas e decidem passar essa noite mal iluminada juntos no terraço do prédio. Alguns imprevistos ocorrem para dificultar que esse romance aconteça e é exatamente isso o que dá o tom certo ao livro. Owen e Lucy são um casal imprevisível e funcionam muito bem separados ao longo da narrativa, mas isso não impede que torçamos muito pelos dois.
"Se traçassem um mapa dos dois, de onde tinham começado e de onde terminariam, as linhas seguiriam para longe uma da outra como ímãs de polos opostos. E já tinha ocorrido a Owen que havia algo profundamente errado com aquilo, que deveriam existir círculos ou ângulos ou voltas, qualquer tipo de traço que possibilitasse às duas linhas de voltarem a se encontrar."
Os personagens principais, como você já deve ter percebido, são Owen e Lucy. Lucy é uma nova-iorkina apaixonada pela cidade, irmã mais nova de uma dupla de gêmeos super protetores e filha de pais que adoram viajar mas que nunca levam os filhos de companhia em suas viagens. Ela não possui muitos amigos e não vê muito problema nisso, mas quando os irmãos vão para faculdade e os pais rumam para mais uma viagem ela passa a sentir uma grande solidão.
Owen está passando por uma fase difícil, após perder a mãe o pai recebe uma proposta de emprego em Nova York e carrega o filho com ele. O garoto já não possui tanta vontade de manter contato com os antigos amigos e prefere se afastar de todos, ele possuía uma forte ligação com a mãe e isso faz com que sinta muita falta dela, somado a isso existem os problemas com dinheiro da familia e o fato do pai não conseguir se manter em nenhum emprego por muito tempo.


Esse livro vai tratar do romance, mas o mesmo serve de pano de fundo para as relações familiares. Enquanto acompanhamos a história de Owen e Lucy vamos seguindo suas famílias e seus costumes e aprendendo mais sobre essas relações com lares confusos. O destino faz com que o casal acabe se vendo separado de maneira extrema, cada um e um país diferente, e com isso cria-se uma dinâmica interessante para a história. Acompanhamos hora a vida de Lucy na  Europa com seus novos colegas, seus pais ainda viajando muito e sua mudança de ares e hora Owen e a grande viagem que ele e o pai passam a fazer pelos Estados Unidos afim de se encontrarem e se estabelecerem novamente. Owen e Lucy passam a se comunicar através de postais e pequenos e-mails e isso dá um bom tom ao romance. Alguns esteriótipos de relacionamentos me incomodaram um pouco, mas é possível entender tratando-se de um relacionamento juvenil e do publico que a autora procura alcançar.


O que mais gostei nessa leitura é a forma leve como a mesma é desenvolvida, a autora tem o dom para a escrita desse gênero, ela consegue fazer com que o leitor se sinta lendo o roteiro de um filme gostosinho de sessão da tarde, e isso torna a leitura bem rapidinha e dinâmica. Mas, porém, entretanto, acredito que ela poderia ter desenvolvido um pouco melhor a personagem feminina, pois acredito que faltou um pouco de profundidade em Lucy, ela acaba sendo ofuscada pelo brilho de Owen, e como existe uma alternância de capítulos isso cansa um pouquinho o leitor. "A probabilidade estatística do amor a primeira vista" segue sendo o meu preferido da autora, mas ainda assim indico "A geografia de nós dois" para quem quer fazer uma leitura rapidinha e leve!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Resenha - Anna Vestida de Sangue

Ana Vestida de Sangue
Kendare Blake
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 252
Editora: Galera Record
Classificação: ★★★★
Sinopse: Cas Lowood herdou uma vocação incomum: ele caça e mata os mortos. Seu pai fazia o mesmo antes dele, até ser barbaramente assassinado por um dos fantasmas que perseguia. Agora, armado com o misterioso punhal de seu pai, Cas viaja pelo país com sua mãe bruxa e seu gato farejador de espíritos. Juntos eles vão atrás de lendas e folclores locais, tentando rastrear os sanguinários fantasmas e afastar distrações, como amigos e o futuro. Quando eles chegam a uma nova cidade em busca do fantasma que os habitantes locais chamam de Anna Vestida de Sangue, Cas espera o de sempre: perseguir, caçar, matar. Mas o que ele encontra é uma garota envolta em maldições e fúria, um espírito fascinante, como ele nunca viu. Ela ainda usa o vestido com que estava no dia em que foi brutalmente assassinada, em 1958: branco, manchado de vermelho e pingando sangue. Desde então, Anna matou todas as pessoas que ousaram entrar na casa vitoriana que ela habita. Mas, por alguma razão, ela poupou a vida de Cas. Agora ele precisa desvendar diversos mistérios, entre eles: Por que Anna é tão diferente de todos os outros fantasmas que Cas já perseguiu? E o que o faz arriscar a própria vida para tentar falar com ela novamente?

Eu sou uma pessoa um pouco descrente ou pelo menos acho que sou, hahaha!  Mas, mesmo assim, evito ler coisas que possam me deixar com medo. Ultimamente, as coisas têm mudado. Tenho visto livros de terror ou de suspense com outros olhos. Ando me aventurando mais por esses gêneros e descobrindo que são uma ótima leitura. Além disso, o medo passa depois. 
Quando peguei Anna Vestida de Sangue, não fui imaginando que seria um terror muito horrível. Ainda bem que pensei assim, pois acertei e não me decepcionei! O livro é um romance young adult sobrenatural bem diferente com uma pitada bem pequena de horror!
Sobre o livro
Theseus Cassio Lowood, mas pode chamá-lo de Cas, cresceu em uma família nada tradicional. Sua mãe é uma bruxa branca que entende de poções, e seu pai era um caçador de fantasmas. Aos 7 anos, o pai de Cas foi assassinado brutalmente por um dos mortos que caçava. Cassio herda o athame do pai e com 14 anos, passa a caçar os mortos. 
Há 3 anos, Cas e sua mãe vão de cidade em cidade, estado em estado, a procura de fantasmas que estão causando mortes de pessoas inocentes. Seu próximo trabalho está em Thunder Bay. Um lugar assombrado pela história de Anna, Anna Vestida de Sangue, um espírito que vive em uma casa abandonada e que mata a todos que entram na casa.  
Em seu primeiro dia de aula na cidade nova, a sorte fica ao seu lado, e, além de conhecer Carmel Jones, a popular do colégio, ela o convida para uma festa que terá à noite. A festa traz ótimas informações, e, com isso, Cas terá seu primeiro encontro com Anna. Porém, as coisas fogem do controle, e ele vê que Anna não é um fantasma qualquer, e sim que possui poderes fora do normal. 
Agora, Cas terá que achar uma maneira de matar esse poderoso espírito, mas pela primeira vez ele não poderá fazer isso sozinho!


Minha opinião 
A capa do livro é linda! Os tons de cinza com os detalhes em verniz vermelho ficaram perfeitos. A diagramação é bem simples, as páginas são amareladas e a fonte é grande. As 252 páginas são divididas em 24 capítulos mais o epilogo, e a história é narrada por Cas.
A escrita da autora é fluida e leve. Me prendi a leitura desde o começo. Kendare Blake caprichou nas cenas mais brutais, que são bem descritivas. Tornou a narrativa mais profunda e em alguns momentos aterrorizante. 
Achei a premissa do livro interessante. O que mais gostei foi o fato de que qualquer pessoa consegue ver os fantasmas. Toda a trama é bem elaborada e bem conduzida. O mistério envolvendo Anna agradou-me bastante. 
Todos os personagens são ótimos. Cas é determinado, porém muito sensível. Adorei sua coragem perante os desconhecidos. Anna é um fantasma monstruosamente forte, contudo consegui gostar e me apegar a ela conforme a narrativa avançava. Com Carmel, a autora desconstruiu alguns conceitos de garota popular nojenta e arrogante. Ela mostrou-se legal, preocupada e disposta a ajudar. Thomas, faz aquele papel de estranho e atrapalhado, mas seu comportamento foi de lealdade o livro todo. 
Estranhei um pouco o romance do livro, mas como é tudo bem leve não me incomodei tanto com isso. E teve o fato de que eu já sabia que haveria esse romance. Alguns capítulos do livro são mais parados, mas tudo faz parte do desenrolar da trama. Quanto ao final, gostei bastante, surpreendeu-me.
Só fiquei sabendo que o livro faz parte de uma série após a leitura. Mesmo com isso, o enredo desse livro é bem fechadinho. Somente no final que fica uma pontinha para o próximo. O segundo já foi publicado nos Estados Unidos e deve chegar em breve aqui no Brasil.  Além disso, Anna Vestida de Sangue vai virar filme com produção de Stephenie Meyer. 
Recomendo Anna Vestida de Sangue se você gosta de livros com temática sobrenatural.

As coisas que seus olhos veem claramente e não conseguem esquecer são piores que um amontoado de figuras escuras que ficam por conta da imaginação.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Resenha - Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello

Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello
Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello
Chris Grabenstein
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 300
Editora: Galera Record
Classificação: ★★★★★
Sinopse: Nesta eletrizante aventura rodeada de livros, Kyle é um dos doze convidados para passar uma noite na biblioteca do famoso e excêntrico Luigi Lemoncello. Quando amanhece, no entanto, todas as portas estão trancadas! Agora Kyle e as outras crianças terão que solucionar cada pista e decifrar as charadas para encontrar a saída! Será que você consegue descobrir como escapar da biblioteca?

Sempre tenho sorte quando escolho um livro pela capa, com Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello, não foi diferente! Eu simplesmente solicitei sem nem ler a sinopse. Fui muito feliz, pois o livro é muito bom!
Depois da leitura, descobri que Chris Grabenstein já escreveu outro livro que se passa também na biblioteca, Olimpíadas na biblioteca do Sr. Lemoncello. Além disso, o autor tem publicado no Brasil, escrito em co-parceria com James Patterson, Caçadores de Tesouros. O que foi uma surpresa para mim, pois esse livro está aqui na minha estante faz um tempão.



Sobre o Livro
A família de Kyle Keeley é apaixonada por jogos de tabuleiro. Kyle é o mais fanático. Conhece e joga todos os jogos criados por Luigi Lemoncello. Mas é um desses jogos que o deixam de castigo pela próxima semana.
Até que na segunda-feira, ao entrar no ônibus, o garoto é questionado por sua amiga sobre a redação que deve ser entregue no primeiro período da manhã.
O tema da tal redação é a nova biblioteca pública da cidade que será inaugurada na sexta-feira. Doze redações serão escolhidas, e seus autores poderão passar a primeira noite explorando a nova biblioteca. Isso desperta o interesse de Kyle, que poderá curtir uma noite sem castigo.
Assim, Kely faz uma redação às pressas. Mas o que ele não sabe é que a reforma foi toda bancada por Luigi Lemoncello e que o próprio fará a seleção dos textos. Com a essa descoberta, Kyle resolve fazer uma nova redação, que é negada pela professora. Mas o menino não desiste e envia seu texto para o e-mail pessoal do Sr. Lemoncello.
É claro que Kely está entre os selecionados. Ele e seus colegas passarão uma noite muito divertida na biblioteca mais legal do mundo. No outro dia, ao acordarem, as crianças descobrem que estão sozinhas e trancadas. Até que o Sr. Lemoncello aparece em uma tela, propondo um jogo: Achar uma saída secreta. E para isso terão que usar recursos da própria biblioteca. O vencedor será garoto propaganda de todos os produtos do Sr. Lemoncello, além de ganhar muitos prêmios.
A disputa começa, e a biblioteca virá um gigante e divertido jogo de tabuleiro.


Capa, edição e narrativa
A capa é uma graça! O colorido chama bem atenção, e a ilustração ficou perfeita para a história!
A diagramação do livro está ótima, folhas amareladas e tamanho da letra e espaçamento grandes. O livro tem ilustrações das pistas que devem ser descobertas. Quem não gosta de livros com ilustrações? Além disso, entramos no desafio, pois tentamos junto com os personagens adivinhar o enigma.
Dividido em 56 capítulos curtos, a narrativa é em terceira pessoa, na maior parte do tempo focada em Kyle, mas também mostrando, quando necessário, o que os outros personagens estavam fazendo. Isso foi bem pensado pelo autor, porque tudo tem ligação.
Como o foco é o público infanto-juvenil, a escrita de Chris Grabenstein é simples, fluida e leve, o que deixa a leitura bem rápida e dinâmica. Terminei o livro em apenas 2 dias.


Minha opinião
Para quem gosta de livros e, principalmente, de biblioteca, o livro é um prato cheio. O Autor está de parabéns! Toda a trama que está muito bem elaborada, encaixada e alinhada.
A biblioteca do Sr. Lemoncello é um sonho. Tem livros, jogos de tabuleiros e jogos de computadores. O modo como o desafio foi feito, além de inteligente, é muito prático. Como a nova biblioteca foi reformada no prédio de um antigo banco, todas as pistas e a própria solução está ligada com esse passado.
O livro é cheio de referências a obras e a autores. Impossível não sorrir ao reconhecer um título de uma obra. O mais legal é que Grabenstein menciona desde clássicos da literatura até livros contemporâneos.
Em certo momento da leitura, não pude deixar de comparar a história com A Fantástica Fábrica de Chocolate. E o mais engraçado é que o próprio autor brinca com essa familiaridade, citando a história de Roald Dahl e comparando o Sr. Lemoncello à Willy Wonka. 
Além de tudo isso, ainda aprendi sobre o sistema de classificação decimal de Dewey, o sistema de classificação mais usado no mundo. Bibliotecas em mais de 135 países usam a CDD para organizar e oferecer acesso às suas coleções. Sim, eu fui pesquisar na internet sobre o CDD. Adorei ter mais esse conhecimento adquirido! 


Todos os personagens são bem cativantes. Kyle é um ótimo garoto, além de inteligente e confiável. Liderou um time e não se importou em sair prejudicado, dividindo o prêmio ou saindo do jogo, se necessário, para o bem de sua equipe.
Temos desde a leitora ávida, Sierra, que não larga os livros o tempo todo, até o espertalhão egoísta Charles, que quer ganhar o jogo a todo custo, mesmo que para isso precise manipular e enganar seus colegas.
O livro vai além do incentivo à leitura, pois foca também na importância do trabalho em equipe, da amizade, da sinceridade, da lealdade, da honestidade, e da autodescoberta. Tudo isso com uma crítica bem leve a atitudes egoístas, mostrando as consequências negativas que elas podem causar.
Eu sou fã de jogos de tabuleiro. Acho que é por isso que gostei tanto dessa mistura de livros e jogos. Fiquei me imaginando na mesma situação, tentando achar pistas resolvendo os enigmas.
Fuga da biblioteca do Sr. Lemoncello foi uma leitura muito divertida que me envolveu e prendeu minha atenção do início ao fim.  
Livro mais do que recomendado, não só para o público infanto-juvenil, mas também para todos apaixonado pelos livros!
“O jogo nunca acaba até chegar ao fim.”
“O conhecimento que não é dividido permanece desconhecido – Luigi L. Lemoncello”

Resenha por Letícia Delicor do blog Lê lendo lido 

domingo, 31 de julho de 2016

Resenha - Talvez um dia

Talvez Um Dia
Talvez um dia
Colleen Hoover
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 368
Editora: Intrínseca
Classificação: ★★★★★
Sinopse: Sydney acabou de completar 22 anos e já fez algo inédito em sua vida: socou a cara da ex- melhor amiga. Até hoje, ela não podia reclamar da vida. Um namorado atencioso, uma melhor amiga com quem dividia o apartamento... Tudo bem, até Sydney descobrir que as duas pessoas em quem mais confiava se pegavam quando ela não estava por perto. Até que foi um soco merecido. Sydney encontra abrigo na casa de Ridge. Um músico cujo talento ela vinha admirando há um tempo. Juntos, os dois descobrem um entrosamento fora do comum para compor e uma atração que só cresce com o tempo. O problema é que Ridge tem uma namorada, e a última coisa que Sydney precisa agora é se transformar numa traidora.

Vocês já viram esse livro aqui no blog, quando lançou fiquei maluca (como acontece com todos os livros da Colleen) então li super rápido, quando ainda não havia lançado aqui no Brasil, e obviamente dei meus pareceres em forma de um post de Musicologia. Mas agora trago uma resenha quentinha desse livro que sem sombra de dúvidas é o meu preferido da autora!


A história começa quando Sydney descobre que seu namorado mal caráter a está traindo com a sua colega de apartamento. Sem perspectiva, somente com seu emprego de estagiária em uma biblioteca ela se vê sozinha na chuva, sem lugar onde morar, e pior sem nenhum amigo. É aí que surge Ridge, o vizinho da frente. Os dois já vinham conversando por sms, e Sydney alimentava um pequeno crush por ele tocando violão na varanda em frente a sua, dessa maneira os dois foram criando uma relação de amizade. Ridge já havia percebido indícios da traição do ex da Sydney e devido a sua simpatia com a garota decidiu ajuda-la oferecendo um quarto em seu apartamento, com quem já dividia com um rapaz e uma moça, para que ela passasse por esse tempo turbulento.
''Eu não sei por que eu estou tentando esconder a minha reação dele, mas não é isso o que as pessoas fazem? Tentamos tanto esconder tudo o que estamos realmente sentindo daqueles que provavelmente mais precisam saber os nossos verdadeiros sentimentos. As pessoas tentam reprimir suas emoções, como se fosse de algum modo errado ter reações naturais a vida.''

A parte mais legal dessa história, na minha opinião, é a maneira como ela aborda a inclusão, como não está na sinopse isso pode ser considerado um spoiler, então vou fazer como fiz no musicologia, se você é curioso e não tem problema em perder essa surprese, pode selecionar com o mouse as próximas frases. "Ridge é surdo, é isso que dá toda a leveza para a história e além do mais é um dos principais tópicos do livro, é legal por que podemos conhecer um pouco do cotidiano dessas pessoas e desmistificar aquela coisa de deficiência e incapacidade, acho que a Collen Hoover acertou em cheio em abordar o assunto."
Ridge e Sydney se descobrem mais parecidos do que esperavam e criam um forte laço. Sydney começa a contribuir com letras para as melodias de Ridge. O maior problema é que Ridge tem uma namorada, de quem ele gosta muito e que também gosta muito dele, e é aí meus amigos que o shipp complica. A Colleen é uma autora que consegue fazer isso, através de uma história inventada nos fazer rever e pensar sobre relacionamentos reais. As vezes na vida as coisas não são assim, preto no branco, e com esse romance a autora nos mostra exatamente isso.


Os personagens desse livro são todos incrivelmente bem construídos, nós temos personagens secundários maravilhosos que nos ajudam a entender a dinâmica da história e com quem também podemos nos identificar (E que possuem um conto todinho especial só deles chamado Maybe Not). Os relacionamentos são todos complexos mas ao mesmo tempo fáceis e a autora consegue mostrar para o leitor que a vida as vezes é complicada, mas que o amor tem mais de uma face. Com esse livro o leitor vai se pegar revendo seus conceitos e pensando no que é certo e no que é errado quando falamos sobre amor, namoro e traição. A Colleen não busca caminhos mais rápidos ou atalhos para terminar essa história e essa é uma das coisas que mais me encantou. Eu realmente espero que você que está lendo essa resenha leia esse livro, pois ele é maravilhoso! Eu não falei muito sobre a parte musical por que você poder ler mais sobre isso lá no Musicologia, mas ó, é lindo também, vai lá dar uma olhada e entender melhor! 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Resenha - O Caderninho de Desafios de Dash e Lily

O Caderninho de Desafios de Dash e Lily
O Caderninho de Desafios de Dash e Lily
David Levithan e Rachel Cohn
Livro cedido pela editora
Número de páginas:256
Editora: Galera Record
Classificação: ★★★★
Sinopse: O novo livro de David Levithan e Rachel Cohn que juntos escreveram Nick e Nora Uma noite de amor e música acompanha a dupla Lily e Dash. Ela está doida pra se apaixonar e, pra encontrar o par perfeito, decide criar um caderninho cheio de tarefas e deixá-lo na livraria mais caótica de Manhattan. Quem encontra o moleskine é Dash, e os dois começam a se corresponder e trocar sonhos, desafios e desejos no caderninho, que vai se perdendo nos mais diversos lugares de Nova York.

Que a dupla David Levithan e Rachel Cohn dá certo a gente já sabe desde a "Nick e Norah uma noite de amor e música" e "Naomy & Ely e a lista do não beijo" mas eles atacam novamente com uma bolha de fofura natalina nosso coração com "O Caderninho de Desafios de Dash e Lily". Venho aqui hoje contar para vocês um pouco mais desse livro fofo e como foi essa leitura deliciosa. 


Nesse livro temos personagens opostos se encontrando para viver uma história de amor ambientada em uma Nova York em época de natal, me diz se tem como dar errado? Não tem né gente!
Dash é um rapaz de 16 anos que odeia o natal, as pessoas se amontoando e toda a hipocrisia da época. Ele, que tem os pais separados, decide que nesse ano não vai comemorar o natal, e com algumas mentirinhas consegue conversar o pai de que vai passar o natal com a mãe e a mãe de que vai passar com o pai, e acaba conseguindo ficar sozinho em casa nessa época que tanto odeia.
Já Lily ama o natal, adora as festividades e tudo que tem a ver com a época natalina. Tudo que ela mais ama é viver intensamente essa época com a familia. O problema é que nesse natal seus pais decidem viajar para comemorar o aniversario de casamento, seu avô vai para a Florida encontrar com a namorada e o irmão está envolvido com seu novo namorado e não tem tempo nenhum para Lily. 
“[...] - Quero dizer que o amor que senti por ele foi enorme e real, e, apesar de doloroso, me mudou eternamente como pessoa [...] As pessoas importantes em nossas vidas deixam marcas. Elas podem ficar ou não no plano físico, mas existem para sempre no coração, porque ajudaram a formá-lo. Não dá para esquecer isso.”
É a partir da solidão de Lily que surge a ideia do caderninho. O irmão da garota decide que ela precisa de um amor e para encontra-lo, juntos mas meio a contra-gosto da garota, eles criam uma maneira de encontrar um boy magia para menina. Eles criam um caderno com tarefas que só a pessoa ideal para Lily conseguiria completar. A ideia inicial seria a pessoa entrar em contato com a garota através de um e-mail só que Dash é essa pessoa e ele decide entrar na brincadeira criando novos desafios para Lily. Com isso eles passam a trocar ideias e se conhecem através daquilo que vão escrevendo no caderninho de desafios. 


Ao longo do livro somos transportados para diferentes pontos turísticos de Nova York e podemos conhecer tudo aquilo que a cidade tem a oferecer na época do natal. Rachel e David possuem um verdadeiro talento para criar personagens com personalidades fortes e interessantes. Mais uma vez encontramos pessoas malucas e personagens principais com sentimentos complexos e interessantes. Lily é sensível e muito inocente para sua idade, ao passo que Dash é todo hipster livre porém totalmente pessimista. Mesmo com essas diferenças os dois possuem muitas coisas em comum e ao longo da história começamos a torcer para que fiquem juntos. A familia de Lily é super explorada e conhecemos seu irmão e o namorado que são super fofos, seu avô que é um apaixonado inveterado e sua tia Ida que é um ótimo cupido. Dos amigos de Dash aquele que acho mais legal destacar é Boomer, um cara super doido com um senso de humor bem ridículo mas com quem a gente simpatiza já de cara.


Vocês já sabem que amo YA's e que vou protege-los, não tem como não curtir uma leitura leve e gostosinha assim. A história é amarradinha e o romance vem na dose certa. Adolescentes desajustados sempre me atraem por que eu fui uma aborrecentezinha assim. <3 Quero amar muito esses livros que conseguem mostrar relacionamentos familiares de maneira clara sem fazer uma grande coisa em volta disso. O livro tem sua seriedade mas ao mesmo tempo a leveza para tratar desses assuntos. Família é importante, amizade e amor também, e nem sempre precisa existir UM GRANDE PROBLEMA para a história se tornar interessante. Rachel e David conseguem fazer isso sempre, um livro sessão da tarde, que a gente lê rapidinho e fica suspirando. Então se você quer relaxar e ficar felizinho, é essa a leitura que indico! Vamos amar esse livrinho juntos!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Resenha - Cidade dos Etéreos


Cidade dos Etéreos
Cidade dos Etéreos 
Ransom Riggs
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 384
Editora: Intrínseca
Classificação: ★★★★★
Sinopse: Cidade dos Etéreos dá sequência ao celebrado O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, em que o jovem Jacob Portman, para descobrir a verdade sobre a morte do avô, segue pistas que o levam a um antigo lar para crianças em uma ilha galesa. O orfanato abriga crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.
Neste segundo livro, o grupo de peculiares precisa deter um exército de monstros terríveis, e a srta. Peregrine, única pessoa que pode ajudá-los, está presa no corpo de uma ave. Jacob e seus novos amigos partem rumo a Londres, cidade onde os peculiares se concentram. Eles têm a esperança de, lá, encontrar uma cura para a amada srta. Peregrine, mas, na cidade devastada pela guerra, surpresas ameaçadoras estão à espreita em cada esquina. E, além de levar as crianças a um lugar seguro, Jacob terá que tomar uma decisão importante quanto a seu amor por Emma, uma das peculiares.
Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época — tudo isso se combina para fazer de Cidade dos etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.

Cidade dos Etéreos é o segundo livro da trilogia O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. O terceiro volume da série Biblioteca de Almas, chega às livrarias dia 19 de agosto e, assim como Cidade dos etéreos, terá capa dura, sobrecapa e páginas coloridas. Além disso, em setembro, a Intrínseca publica também Contos peculiares, coleção inédita de contos de fadas relacionados à série.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Resenha - Silêncio

Silêncio
Silêncio
Silêncio
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 280
Editora: Galera Record
Classificação: ★★★★
Sinopse: Um romance de fantasia e aventura da mesma autora de Vampire Academy.
Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis. 
O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas.
Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará
suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.

Se você acompanha esse blog já deve saber que tenho uma pequena obsessão pela Richelle Mead, pois se não sabia, agora está sabendo. Eu sempre piro quando fico sabendo dos lançamentos da autora! Desde Vampire Academy passei a acompanhar essa autora, então fiquei super animada em saber sobre o lançamento de Silêncio, estava esperando loucamente por esse livro, e agora finalmente posso falar um pouquinho sobre ele para vocês!


Silêncio se passa em um povoado Chinês, chamado Paço do Pavão. Esse povoado se encontra no topo de uma montanha e vive de maneira sub-serviente ao Vale de Beiguo que se encontra no pé da mesma. Eles sobrevivem através da trocas que fazem com esse outro povoado, enviando minérios através de uma tirolesa e recebendo comida em troca. As pessoas desse povoado vivem em um silencio intocável, já que toda a comunidade se constitui de pessoas surdas. Todos são acostumados com seu estado, a surdez é algo comum para o povo de Paço de Pavão, só que um outro problema passa a assolar o povoado, esse problema? A cegueira. Quando as pessoas começam a deixar de enxergar a situação do povoado que já não era das melhoras passa a piorar, com o aumento de pessoas cegas diminui-se o numero de trabalhadores para os minérios, assim diminuindo o material enviado para o Vale ao pé da montanha e consequentemente contribuindo para a diminuição de alimento recebido. Existe nesse vilarejo um sistema de castas constituído de três castas diferentes: os mineradores, na casta mais baixa, responsáveis pelos minérios nas minas. Os fornecedores, responsáveis pelas trocas com o Vale do Beiguo, são eles que recebem e distribuem o material de troca entre o povoado. E a mais alta das castas que é a dos artistas, eles são responsáveis por registrar a história do vilarejo.
"Somente viver um dia depois do outro já não basta. Tem que haver algo mais nesta vida, algo mais que se possa esperar." 
Nossa personagem principal se chama Fei e pertence a casta dos artistas. Ela é uma das artistas mais promissoras, mas decide colocar tudo em risco para salvar sua irmã e seu povoado. Quando Fei descobre que sua irmã Zhang está começando a ficar cega e que isso pode fazer com que ela perca seu status de artista ela decide tomar medidas drásticas para salva-la. Fei possui um segredo, ela consegue ouvir, e com esse dom ela decide se unir a Li Wei, um minerador de quem ela se distanciou devido as castas, para descer a montanha e tentar resolver o problema do Paço do Pavão. Ninguém consegue descer a montanha que é muito ingrime, mas Fei podendo ouvir aumenta as chances da dupla de descer e entrar em contato com os moradores de Beiguo afim de ajuda. 


Este livro trata de maneira muito forte a questão do preconceito e da desigualdade social. Richelle foca em problemas sociais e com o sistema de castas faz um paralelo com a nossa realidade atentando a manipulação que ocorre na sociedade. Temos uma protagonista que traz consigo alguns preconceitos mas que ao longo da narrativa consegue desconstruí-los de uma boa forma. Mais uma vez Richelle nos apresenta a irmandade entre mulheres em sua narrativa, as irmãs são bastante unidas e é belíssima a forma como a autora representa essa relação entre as duas, ambas se amam muito e estão dispostas a tudo para que continuem unidas e bem.
Como critica posso pontuar o inicio pouco fluido da história, as primeiras páginas por serem muito descritivas e introdutórias podem cansar um pouco o leitor. Entendo que seja necessário para que possamos entender como a sociedade do livro funciona, mas acredito que isso poderia ser feito de maneira mais dinâmica. A cultura chinesa presente no livro é um dos pontos mais interessantes da mesma, já que esse é um folclore muito rico do qual eu não possuía muito conhecimento. O romance presente do livro serve para embalar essa trama de fantasia e dar certa leveza para tanta problematização politica.



Eu estava realmente esperando muito desse livro. De algumas formas fui surpreendida, já que esse não tem semelhança alguma com o meu queridíssimo Vampire Academy, mas isso não é uma coisa ruim já que Silêncio funciona de uma forma muito diferente desse, e funciona de uma ótima forma. Richelle mostra que é possível fazer critica social através da literatura YA e ainda construir uma narrativa cativante recheada de cultura. Espero que ela continue escrevendo livros do gênero e que eu possa continuar surtando com seus novos lançamentos!

sábado, 23 de julho de 2016

Resenha - O Árabe do Futuro

O árabe do futuro
O Árabe do Futuro
Riad Sattouf
Livro cedido pela editora
Número de páginas: 160
Editora: Intrínseca
Classificação: ★★★★★
Sinopse: Nascido na França em 1978, filho de pai sírio e mãe bretã, Riad Sattouf viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes — experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá.
Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida plácida na França socialista de Mitterrand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad. A partir de suas próprias lembranças e sensações, o autor descreve como foi adaptar-se a realidades tão díspares e mostra detalhes de sua vida em família e da relação com outras crianças.
O árabe do futuro é um relato literário pleno em forma de graphic novel: com traço simples e narrativa fluida e descontraída, Riad fornece ao mesmo tempo uma análise antropológica do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de sua própria infância plural.

Estava muito curiosa quanto a leitura dessa graphic novel, admito que sou meio novata nesse mundo de graphics por isso estou super disposta a ler todas as que conseguir. Mas essa me chamou a atenção por ter esse foco em personagens de descendência árabe. Havia lido a pouco tempo a graphic iraniana Persepólis e gostei muito, por se tratar também de uma autobiografia em formato de novela gráfica "O árabe do futuro" entrou na minha lista de desejados, e tenho que dizer que conseguiu atingir minhas expectativas. Vamos a resenha?


Como já disse antes, O Árabe do Futuro é uma graphic novel biográfica, ela acompanha os primeiros anos de Riad Sattouf. Nascido na França filho de uma mãe francesa nascida na Bretanha e de um pai árabe imigrante de uma pequena aldeia síria, Riad possui caracteristicas físicas muito diferentes daquelas da familia de seu pai, Abdel-Razak Sattouf, seus cabelos encaracolados e loiros são motivos constantes de adulações e carinhos por parte de todos os adultos que encontra. Essa é uma graphic biográfica, com foco no próprio Riad, mas a história desse primeiro volume é quase inteiramente voltada para seu pai, Abdel. Riad como todo menino vê em seu pai um grande herói e com isso vamos acompanhando toda a ideologia e as crenças que Abdel passa para Riad.
Na graphic acompanhamos todos os momentos da vida de Riad, inclusive aqueles em que ele ainda não estava presente, como a maneira como seus pais se conheceram e como vieram a ficar juntos. Todos os momentos da história são regados de ironia e muitas situações cômicas são apresentadas ao leitor. Ao longo da infância de Riad a familia se desloca entre França, Líbia e Síria sempre motivados pela vontade de seu pai de manter a familia ligada a cultura e aos costumes sírios e por suas opiniões politicas. Abdel acredita numa nova forma de ser árabe, é contra o forte fanatismo e a favor da educação e do avanço do povo muçulmano na modernidade, mas obviamente carrega consigo muito preconceitos e caracteristicas culturais questionáveis para nós ocidentais. 




O mais interessante neste primeiro volume é a maneira como o olhar infantil de Riad reage as situações tensas e muitas vezes hostis em que ele e a familia são colocados quando inseridos no ambiente Sírio. Seu pai possui vários momentos de hipocrisia e propaga muitas vezes discursos questionáveis mas ainda assim através dos olhos do autor e da inocência infantil conseguimos enxergar esses momentos mais de maneira cômica, como chacota, do que de maneira ofensiva.
A maneira como o quadrinista utiliza as cores ao longo da graphic também é bastante interessante. Com a paleta quase monocromática ele acompanha as cores das bandeiras dos locais para onde a familia se desloca e escolhe uma delas para elencar os capítulos onde os personagens se encontram. Os traços são simples porém claros, o foco é total na história desenvolvida, não dando espaço para páginas com ilustrações muito elaboradas.


Essa é uma graphic que em alguns momentos pode trazer indignação ao leitor, mas a forma como o autor traz o humor consegue fazer com que entendamos que são fatores culturais que causam essa estranheza. Riad Sattouf é ex-colaborador do controverso jornal francês Charlie Hebdo e tem em sua bagagem o humor acido e irônico que percebemos ao longo de "O Árabe do Futuro". A Intrínseca deu um tiro certeiro ao trazer a obra para o Brasil e espero em breve ter a oportunidade de ler os demais volumes dessa história.
 
Livrologias, por Camila Teixeira © 2015
Design e desenvolvimento por Chave Criativa